Maneiras de morrer com um buraco negro

Written by Ivan Cardoso on March 10th, 2017. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

Em evento de divulgação científica, temas de física são apresentados para público leigo com descontração e bom-humor.

Na noite de quarta-feira, 08 de março, ocorreu mais uma edição dos Papos de Física, evento de divulgação científica organizado pelo ICTP-SAIFR, um centro internacional localizado no Instituto de Física Teória (IFT) da Unesp. O evento, que ocorre mensalmente, tem o objetivo de levar a ciência para fora do ambiente acadêmico, aproximando-a da sociedade, e trouxe Rodrigo Nemmen, professor de astrofísica do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e membro associado da Academia Brasileira de Ciências, para a palestra. O local escolhido foi o bar-lavanderia Laundry Deluxe (Rua da Consolação, 2937) e contou com o ambiente informal para criar um clima de descontração entre palestrante e público acerca do tema explorado: buracos negros.

Em vinte minutos de apresentação, Nemmen apresentou com linguagem simples e muito bom-humor o que é um buraco negro e formas possíveis de se morrer em um deles. Não faltaram referências a filmes e grupos musicais durante a apresentação, já que, segundo Nemmen, “há um grande fascínio na cultura por buracos negros”. Porém, as referências foram usadas em tom de crítica, apresentando os muitos erros de Hollywood acerca do que é um buraco negro, conceito que Nemmen elucidou nos primeiros minutos de sua palestra: “é uma região do espaço com um campo gravitacional tão intenso que nem a luz consegue escapar.” Nesse cenário, qualquer objeto tentando sair de um buraco negro precisaria ter uma velocidade de escape que excedesse a velocidade da luz.

Em termos simples, a velocidade de escape é a velocidade que um objeto precisa alcançar e ultrapassar para conseguir escapar da atração gravitacional de um astro. No caso da Terra, por exemplo, a velocidade de escape é de 11 quilômetros por segundo. Isso significa que, se um foguete deseja escapar da força que a gravidade da Terra exerce sobre ele, deve ultrapassar esses 11 quilômetros por segundo. Caso contrário, a força puxaria-o de volta e a missão provavelmente seria um fracasso. No caso de um buraco negro, porém, a velocidade deste foguete teria de ser maior que a velocidade da luz para que conseguisse sair de lá. E isso não é nada fácil, pois como explicou Nemmen, “nada consegue exceder a velocidade da luz no Universo”, e, por isso, “uma vez dentro [de um buraco negro], nada escapa.”

O professor Rodrigo Nemmen durante a palestra

Rodrigo Nemmen durante a palestra

Em sua fala, Nemmen não deixou de lado a data em que o evento ocorreu, Dia Internacional da Mulher, tecendo comentários e críticas acerca das assimetrias de direitos e visibilidade entre homens e mulheres no ambiente acadêmico. Como demonstrou com uma manchete de jornal projetada em slide, as mulheres são responsáveis por metade das descobertas científicas no mundo, “o que era de se esperar,” disse, “já que metade da população mundial é de mulheres. Mas para isso ser uma manchete, e não algo normal, há algo de errado”. Além disso, citou também o trabalho de duas astrofísicas de grande importância, Thaisa Storchi Bergmann, do Instituto de Física da UFRGS, e Natalie Batalha, da NASA.

Nemmen, como em toda boa conversa de bar, também não deixou de lado comentários sobre política, tecendo críticas bem-humoradas sobre os cortes recentes no orçamento federal para a pesquisa e sobre a fusão do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação com o de Comunicação, algo que, segundo ele, não faz muito sentido. Esses comentários, disse Nemmen, “são convites à reflexão”.

Após a palestra, o público, formado majoritariamente por jovens, foi convidado a fazer perguntas. A empolgação da plateia foi tão grande quanto a de Nemmen, que respondeu com desenvoltura perguntas tanto sobre buracos negros quanto aspectos da nossa galáxia e, após terminado o evento, continuou o bate-papo nas mesas do bar.

A próxima edição dos Papos de Física ocorrerá no dia 04 de abril, no mesmo local, e contará com a presença de Adriana Valio, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que trará para a mesa o tema dos exoplanetas. Para mais informações, acesse o site: http://ictp-saifr.org/papos/

Prêmio para Jovens Físicos é entregue a alunos de graduação

Written by Ivan Cardoso on March 6th, 2017. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

Em sua nova edição, instituto abre espaço para alunos de toda a América Latina

Foi entregue na segunda-feira, 6 de março , o Prêmio IFT-UNESP/ICTP-SAIFR para Jovens Físicos, em cerimônia realizada no auditório do Instituto de Física Teórica, localizado no Campus Barra Funda da UNESP. Receberam o prêmio os cinco melhores colocados em duas provas de três horas de duração cada, abordando temas como Mecânica Clássica, Mecânica Quântica, Mecânica Estatística/Termodinâmica, Eletromagnetismo, Relatividade Especial e Fisica-Matemática.

O prêmio, entregue anualmente desde 2004, passou por uma reformulação em sua ediçao de 2016 devido a parceria do ICTP-SAIFR e IFT-UNESP com o Perimeter Institute, do Canada. Anteriormente, a competição premiava apenas alunos de graduação brasileiros. Após a parceria, porém, além do nível da prova ter aumentado, com perguntas formuladas por pesquisadores do IFT-UNESP e do Perimeter, permitiu que alunos de graduação de toda a América Latina pudessem se inscrever. Segundo Nathan Berkovits, diretor do ICTP-SAIFR, a procura foi alta por parte destes alunos, com mais de 100 participantes inscritos.

O primeiro colocado foi Francisco Vladimir Calvera Cigueñas, de 21 anos, formado em 2016 no curso de fisica da PUC-Peru. Cigueñas, que já desenvolveu pesquisa em óptica quântica durante a graduação, se prepara para passar um ano no Canadá, trabalhando em seu mestrado. “Eu achei divertida a prova. Gostei das perguntas, pois pude aprender mais sobre os temas,” disse Cigueñas, que almeja seguir para um doutorado em física.

Ivan Carlos de Almeida, quinto colocado, desenvolveu sua iniciação científica com buracos negros na USP São Paulo e diz que o prêmio é um bom incentivo, especialmente para alunos de graduacão, seguirem carreira. “Agora pretendo seguir na academia, no mestrado e, depois, doutorado”. Atualmente, Almeida desenvolve seu mestrado na USP, também com buracos negros.

Além do certificado, os alunos receberam também premiação em dinheiro. Veja os cinco primeiros colocados:

1ºLugar:

Francisco Vladimir Calvera Cigueñas (Pontificia Universidad Católica del Peru), 98 de 100 pontos

2º Lugar:
Michael David Morales Curi (Universidad Nacional de Ingeniería, Peru), 57,5 de 100 pontos

3º Lugar:
Alexandre Homrich (USP São Paulo), 55 de 100 pontos

4º Lugar:
Carlos Gustavo Rodriguez Fernandez (Universidad San Francisco de Quito, Ecuador), 50,75 de 100 pontos

5º Lugar:
Ivan Carlos de Almeida (USP São Paulo), 41,5 de 100 pontos

 

Da esquerda para a direita: Ivan Carlos de Almeida (USP Sao Paulo), Carlos Gustavo Rodriguez Fernandez (Universidad San Francisco de Quito, Ecuador), Alexandre Homrich (USP São Paulo), Francisco Vladimir Calvera Cigueñas (Pontificia Universidad Católica del Peru) e Nathan Berkovits, diretor do ICTP-SAIFR, durante a cerimonia.

Da esquerda para a direita: Ivan Carlos de Almeida (USP Sao Paulo), Carlos Gustavo Rodriguez Fernandez (Universidad San Francisco de Quito, Ecuador), Alexandre Homrich (USP São Paulo), Francisco Vladimir Calvera Cigueñas (Pontificia Universidad Católica del Peru) e Nathan Berkovits, diretor do ICTP-SAIFR, durante a cerimonia.

Após a cerimônia de entrega dos prêmios, seguiu uma palestra sobre as utilidades quânticas da luz na ciência da informação, ministrada pelo Prof. Dr. Paulo Nussenzveig, do Instituto de Fisica da USP.

Jornadas de Fisica Teorica

 Com o intuito de incentivar alunos de graduação a seguirem seus estudos e pesquisas em áreas de física, o prêmio é realizado anualmente, associado às Jornadas de Física Teórica, uma escola internacional cobrindo tópicos relevantes de física teórica. Começando por assuntos básicos, os palestrantes procuram apresentar, também, pesquisas sendo desenvolvidas hoje em dia dentro de cada um dos tópicos apresentados.

As aulas são ministradas por professores do Perimeter Institute, do ICTP-SAIFR e do IFT-UNESP durante cinco dias, ao fim dos quais os alunos poderão prestar as duas provas. Apesar de apenas a segunda prova contar como parâmetro para o prêmio, o desempenho somado nas duas pode render aos alunos bolsas de mestrado sanduíche no Canadá, junto ao Perimeter Institute. Dos cinco primeiros colocados nesta edição do prêmio, quatro conseguiram a bolsa.

A Jornada de Física Teórica de 2017 tem data de início marcada para o dia 10 de julho e já está com as inscrições abertas.

Mais informações sobre o prêmio e sobre a Jornada, aqui e aqui.

Física une Brasil e Canadá

Written by ICTP-SAIFR on November 28th, 2016. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

Cooperação com o Perimeter Institute envolve mobilidade e cursos de extensão e pós-graduação

Por Marcos Jorge

Uma série de atividades envolvendo principalmente o ensino e a extensão marcou a parceria estabelecida este ano entre o braço sul-americano do Centro Internacional de Física Teórica (ICTP-SAIFR) e o Perimeter Institute, do Canadá. A colaboração entre o centro localizado no Instituto de Física Teórica (IFT) da Unesp e o instituto canadense promoveu dois eventos destinados a melhorar a qualidade do ensino médio: um workshop para professores e um minicurso para estudantes sobre tópicos atuais da física teórica.

A parceria já havia produzido a realização de um curso intensivo que selecionou 90 alunos da América Latina e premiou os melhores estudantes com um curso de pós-graduação conjunto entre os institutos de física brasileiro e canadense.

 

PROFESSORES
O workshop gratuito Cutting-edge In-class Physics Resources, nos dias 17 e 18 de setembro, teve como proposta capacitar professores do ensino médio sobre temas atuais e complexos da física teórica, como matéria escura, física de partículas e astronomia.
Participaram do curso 42 professores das redes pública e privada. “Foi uma excelente experiência para discutir questões atuais de física teórica, de modo que possamos levá-las para as nossas salas de aula”, comentou Danilo Claro Zanardi, professor de Física do Colégio Dante Alighieri.

O Perimeter foi responsável por elaborar e disponibilizar o material didático. “É uma importante oportunidade de atualizarmos nossos conhecimentos e ações didáticas”, afirmou Miriam Rosenfeld, da Escola Estadual Maria José. O material, em inglês, está disponível gratuitamente no site do instituto canadense no endereço https://store.perimeterinstitute.ca/.

 

ESTUDANTES
Alunos do ensino médio foram o alvo do curso gratuito Relatividade, Gravitação e Mecânica Quântica, realizado todos os sábados do mês de setembro. “A nossa proposta é mostrar conteúdos da fisica moderna, que não está no currículo do ensino médio, mas está nos jornais e nas novas tecnologias”, explica Pedro Gil Vieira, português ligado ao Perimeter e ganhador da Medalha de Gribov de 2015, prêmio concedido pelo European Physical Society por sua pesquisa em teoria quântica de campos.
Sem usar a matemática avançada e aproveitando-se ao máximo de diagramas e imagens como recursos didáticos, Vieira conseguiu cativar os alunos no estudo dessa nova física. “Ele consegue explicar de uma forma que a gente consegue entender. Especialmente a forma com que esses conteúdos se aplicam à fisica”, comenta Vinicius Kenzo Takia, aluno do 3º ano do ensino médio no Colégio Agostiniano Mendel.

Yulia de Castro chegou ao curso por sugestão de seu professor na ETEC de Itatiba, no interior de São Paulo. “Eu gostei da física desde o primeiro contato que tive com a disciplina ainda no ensino fundamental”, assinala. “Antes de me matricular olhei o programa do curso e o currículo do professor e percebi que seria uma oportunidade única.”
A parceria com o instituto do Canadá também já está promovendo a troca científica entre pesquisadores. “Temos dois pós-doutorandos de cada um dos institutos trabalhando juntos e acredito que essa parceria deve render a publicação de um artigo nos próximos meses”, destaca Vieira.

 

REFERÊNCIA INTERNACIONAL
Criado em 1999, o Perimeter Institute é uma referência internacional em pesquisa no campo da física teórica e mantém vínculos estreitos com diversas instituições canadenses, especialmente com a Universidade de Waterloo. Entre os cientistas notáveis vinculados ao instituto está o norte-americano Stephen Hawking.

Além da pesquisa, o Perimeter Institute reserva um departamento exclusivo para tratar de projetos ligados à extensão, em especial para levar questões da física para o público em geral. “Somos um instituto que faz pesquisa, mas temos esse forte componente de divulgação científica que foge um pouco do perfil típico de um centro de pesquisa. Organizamos muitas palestras científicas para o público leigo e desenvolvemos diversos materiais didáticos relacionados à física”, ressalta Vieira.

 

Pós-graduação para latino-americanos
Voltado para alunos de graduação, o Journeys into Theoretical Physics foi realizado entre os dias 18 e 23 de julho e foi a primeira atividade realizada pela parceria com o instituto canadense. O curso foi amplamente divulgado entre os departamentos de física das universidades da América Latina e recrutou os 90 melhores estudantes da região. Ao longo da semana de curso intensivo, os estudantes assistiram a aulas sobre mecânica quântica, teoria da relatividade, física de partículas, entre outros temas, ministradas por professores do IFT e do Perimeter Institute. Um exame final encerrou as atividades e os cinco melhores colocados foram premiados com uma bolsa de estudos de dois anos para realizar um curso de pós-graduação promovido conjuntamente pelos dois institutos, além de um valor em dinheiro.

A programação prevê que nos primeiros seis meses os cinco estudantes façam um curso introdutório no IFT e depois passem dois semestres no Canadá. Lá, os estudantes serão matriculados no Perimeter Scholars International, um curso abrangente desenvolvido para alunos estrangeiros, que cursarão disciplinas sobre todas as áreas da física teórica. “Embora o aluno possa já ter decidido por uma subárea de pesquisa, ele vai fazer disciplinas em todas as áreas. Isso é um ponto forte do programa do Perimeter porque permite ao aluno conhecer todas as áreas antes de se concentrar em um tópico específico”, explica Nathan Berlovitz, professor do IFT e diretor do ICTP-SAIFR. Nos últimos seis meses da programação, os estudantes retornarão ao IFT para elaborar uma dissertação final, sob orientação de um supervisor do instituto brasileiro e de outro do Canadá. A ideia é que nessa dissertação os estudantes foquem mais especificamente em uma área da física teórica. “Queremos repetir essa escola no IFT todos os anos. Faremos uma fotografia de cada uma das turmas e, daqui a alguns anos, quando esses físicos estiverem espalhados por universidades pelo mundo, eles terão essa foto como uma espécie de elo”, idealiza Pedro Gil Vieira, pesquisador do Perimeter.

 

Fonte: https://issuu.com/acireitoria/docs/ju326/10

Entrepreneurship Workshop for Scientists and Engineers

Written by ICTP-SAIFR on October 18th, 2016. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, participa da abertura

Por Paulo Velloso

Reunindo alunos de diversos países da América do Sul, iniciou-se nesta segunda-feira, no Câmpus de São Paulo da Unesp, o Entrepreneurship Workshop for Scientists and Engineers – ou Oficina de Empreendedorismo para Cientistas e Engenheiros. Com proposta  organizada pelo braço sul-americano do Centro Internacional de Física Teórica (ICTP-SAIFR), localizada nas dependências do Instituto de Física Teórica (IFT), a oficina tem por objetivo pavimentar o longo e muitas vezes tortuoso caminho entre a ideia e o mercado. “Durante uma semana vamos trabalhar, de forma intensiva, sobre os métodos e ferramentas que possibilitam que uma tese vire um negócio”, resume o químico Rodrigo Marques, do Instituto de Química da Unesp, câmpus de Araraquara, um dos organizadores do evento.

Vindos da Guatemala, Costa Rica, Argentina e Colômbia, além de um contingente brasileiro, os cerca de 60 participantes serão, depois das noções teóricas iniciais, divididos em grupos multidisciplinares de oito alunos. “Na sexta-feira, finalmente, terão que simular representantes de uma empresa à procura de investidor para a sua ideia, e terão dez minutos para isso”, explica Marques. “Ao final, será premiado o melhor trabalho, como forma saudável de estimular a competitividade”.

Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo –, que palestrou na abertura dos trabalhos, iniciativas como essa são da maior importância. “Discutir desafios e mostrar oportunidades é o caminho correto para o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no Estado de São Paulo”, disse. “O Estado tem evoluído muito, e rapidamente, e existem oportunidades que ainda não foram percebidas”.

Em sua palestra, Brito Cruz destacou ainda a pujança do Programa de Financiamento à Pesquisa em Pequenas Empresas. “Já aprovamos, este ano, mais projetos do que em todos os anos anteriores”, afirmou. “E isso significa oportunidades para os estudantes, para os professores, para os técnicos da Unesp e para as pequenas empresas relacionadas com eles”.

Fonte: http://www.unesp.br/portal#!/noticia/23958/entrepreneurship-workshop-for-scientists-and-engineers/

Workshop gratuito para professores do ensino médio

Written by ICTP-SAIFR on September 22nd, 2016. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

Atividades ocorreram dias 17 e 18 de setembro

Por Assessoria de Comunicação e Imprensa/UNESP

Dias 17 e 18 de setembro, o ICTP-SAIFR (Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental) organizou, no Instituto de Física Teórica (IFT) da Unesp, em São Paulo, SP, no bairro da Barra Funda, um workshop Cutting-edge In-class Physics Resources para professores do ensino médio em parceria com o Perimeter Institute (PI) for Theoretical Physics. O workshop foi gratuito e em inglês.

Fotos de Lucas Sanches das atividades disponíveis em
https://www.flickr.com/photos/93319111@N04/sets/72157670776292003

Criado em 1999, o instituto canadense é uma referência internacional em pesquisa no campo da física teórica e mantém vinculo próximo com diversas universidades canadenses, especialmente com a Universidade de Waterloo. O centro também se destaca pela atuação no campo da extensão, com eventos que focam educação e promovam a aproximação de temas da Física com o público leigo

“Somos um instituto que faz pesquisa, mas temos este forte componente de divulgação científica que foge um pouco do perfil típico de um centro de pesquisa. Organizamos muitas palestras cientificas para o público leigo e desenvolvemos diversos materiais didáticos relacionados à Física”, explica Greg Dick, Director of Educational Outreach do PI. “Já atingimos 5 milhões de alunos e 15 mil professores”. Mais informações sobre o Instituto em: https://www.perimeterinstitute.ca/

“Foi uma ótima experiência com os professores de ensino médio brasileiros, que trouxeram relevantes questões e participaram ativamente das propostas durante todo o final de semana”, apontou Glenn Wagner, que ministrou atividades durante o evento.

Participaram do curso no IFT 42 professores de ensino médio das redes pública e privada. “Foi uma excelente experiência para discutir questões atuais de Física Teórica de modo que possamos levar para as nossas salas de aula”, comentou Danilo Claro Zanardi, professor de Física do Colégio Dante Alighieri. “Muito do que estamos disctindo aui vamos levar para as nossas aulas”, acrescentou Elizabeth Zaki, professora do Colégio Santa Cruz. “É uma importante oportunidade de atualizarmos nosso conhecimentos e ações didáticas”, diz Miriam S. Rosenfeld, da Escola Estadual Maria José.

“Os materiais utilizados são disponibilziados gratuitamente na internet, inclusive com a possibilidade de serem editados pelos professores. Um de nossos próximos objetivos é realizar a traduação para a língua portuguesa. Também queremos repetir este tipo de ação no próximo ano”, informou Nathan Berkovits, que integra o ICTP-SAIFR e o IFT – Unesp.

Veja abaixo o programa que foi enfocado:

Descrição
Perimeter resources bring challenging modern physics concepts – including wave-particle duality, dark matter, astronomy, and particle physics – to life using a mix of hands-on activities, rich video, and other creative approaches. You will each get the full suite of classroom-ready, modifiable resources that have been correlated with the Science Standards of São Paulo State, for you to share with your students for free.

DAY 1
Registration
10am Classical & Modern Physics (Dark Matter)
1:00pm Lunch
2:30pm Quantum (Wave-Particle Duality). Hands-On Exploration & Lab
5:00pm Plank’s Constant Lab. Questions and Discussion
5:30pm Participants depart

DAY 2
10am Process of Science & Exploration of Models. Cosmology
1:00pm Lunch
2:30pm PI Engagement
3:00pm Black Holes & What’s Next? Particle Physics. What’s new in Physics.
5:15pm Final Questions
5:30pm Thank you and departure

Mais informações: secretary@ictp-saifr.org

Fonte: http://www.unesp.br/portal#!/noticia/23525/workshop-gratuito-para-professores-do-ensino-medio/

Atividades inauguram parceria com instituto canadense de física

Written by ICTP-SAIFR on July 27th, 2016. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

Cooperação com o Perimeter Institute envolve Mestrado conjunto, extensão e mobilidade

Por Marcos Jorge – Assessoria de Comunicação e Imprensa/UNESP

O braço Sul-Americano do Centro Internacional de Física Teórica (ICTP-SAIFR) reuniu entre os dias 18 e 23 de julho noventa dos melhores estudantes de Física do continente para a primeira edição do IFT-Perimeter-SAIFR Journeys into Theoretical Physics. O curso foi uma espécie de inauguração da parceria estabelecida entre o ICTP-SAIFR, localizado no Instituto de Física Teórica da Unesp, e o Perimeter Institute, do Canadá.

Criado em 1999, o instituto canadense é uma referência internacional em pesquisa no campo da física teórica e mantém vinculo próximo com diversas universidades canadenses, especialmente com a Universidade de Waterloo. O centro também se destaca pela atuação no campo da extensão, com eventos que focam educação e promovam a aproximação de temas da Física com o público leigo.

“Somos um instituto que faz pesquisa, mas temos este forte componente de divulgação científica que foge um pouco do perfil típico de um centro de pesquisa. Organizamos muitas palestras cientificas para o público leigo e desenvolvemos diversos materiais didáticos relacionados à Física”, explica Pedro Gil Vieria, professor português ligado ao Perimeter Institute que em 2015 foi ganhador da Medalha de Gribov, do European Physical Society, por sua pesquisa em teoria quântica de campos. Ele e seu colega Freddy Cachazo estiveram no IFT para lecionar palestras na programação do curso.

“Queremos repetir essa escola no IFT todos os anos. Faremos uma fotografia de cada uma das turmas e, daqui a alguns anos, quando esses físicos estiverem espalhados por universidades pelo mundo, eles terão esta foto como uma espécie de elo”, idealiza.

Voltado exclusivamente para alunos de graduação, o Journeys into Theoretical Physics foi amplamente divulgado entre os cursos de Física das universidades da América Latina e seu principal objetivo foi recrutar os melhores estudantes da região. Ao final da semana de aulas, os estudantes realizaram um teste de avaliação cujo resultado será divulgado no início de Agosto. Os cinco melhores estudantes, além de prêmios em dinheiro, ganharão uma bolsa de estudos de dois anos para um mestrado em conjunto entre o IFT e o Perimeter Institute.

O programa de mestrado gratuito inclui seis meses de cursos introdutórios no IFT e mais dois semestres no Canadá, onde os cinco selecionados estarão matriculados em um programa intensivo específico para alunos estrangeiros totalmente desenvolvido pelo Perimeter Institute. Nos últimos seis meses, os estudantes poderão optar por retornar ao IFT para consolidar as atividades realizadas no Canadá em um projeto de pesquisa maduro.

Extensão
Pedro Vieira ficará em São Paulo ainda alguns meses para desenvolver outras atividades relacionadas à parceria, desta vez mais voltadas à extensão. Durante todos os sábados do mês de Setembro, por exemplo, o professor irá ministrar um curso para alunos do ensino médio que cobrirá tópicos de física teórica, de relatividade restrita à mecânica quântica, gravitação, além de tópicos de pesquisa atuais, como a teoria das cordas.

Ainda em Setembro, Pedro ministrará algumas aulas no curso gratuito Cutting-edge In-class Physics Resources, que é direcionado para professores do ensino médio e tratará temas atuais da física teórica com uma abordagem criativa e com o uso de recursos modernos. O instituto canadense também disponibilizará o material didático. O curso será realizado em inglês e o conteúdo pode ser visto na página do ICTP-SAIFR na Internet. No mesmo mês, o português fará uma das palestra que compõem o programa Papos de Física, evento organizado pelo IFT cuja proposta é discutir as mais recentes descobertas científicas nda Física em um clima informal.

“Outro elemento desta parceria entre IFT e o Perimeter Institute é a troca científica entre pesquisadores. Nós já tivemos dois postdoc de cada um dos institutos trabalhando juntos e acredito que essa parceria deve render a publicação de um artigo nos próximos meses”, lembra Pedro.

Fonte: http://www.unesp.br/portal#!/noticia/22785/atividades-inauguram-parceria-com-instituto-canadense-de-fisica/

Alunos da América Latina se reúnem em curso sobre matéria escura

Written by ICTP-SAIFR on July 18th, 2016. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

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Mais de 80 alunos de pós-graduação de 17 países participaram do curso na Unesp

Por Marcos Jorge – Assessoria de Comunicação e Imprensa/UNESP

O Instituto de Física Teórica (IFT) recebeu entre os dias 27 de junho e 8 de julho a primeira Escola sobre Matéria Escura, que reuniu mais de 80 estudantes de pós-graduação de 17 países – a maioria deles da América Latina. A proposta do curso foi organizada pelo braço sul-americano do Centro Internacional de Física Teórica (ICTP-SAIFR), que está localizado nas dependências do IFT e tem como objetivo promover o estudo da física teórica na região.

O curso foi direcionado a pós-graduandos e seu conteúdo procurou contemplar as diferentes áreas que envolvem o estudo da matéria escura, bem como proposição de exercícios práticos e sessões de discussão para esclarecimento de dúvidas. Dois dos organizadores da Escola são pesquisadores do IFT: os professores Eduardo Pontón Bayona e Fabio Iocco. Além deles, os pesquisadores Gianfranco Bertone (Universidade de Amsterdã, na Holanda,) e Graciela Gelmini (Universidade da Califórnia em Los Angeles, Estados Unidos) também colaboraram remotamente na elaboração da programação e na seleção dos palestrantes brasileiros e estrangeiros.

Os organizadores argumentam que uma das motivações para organizar o curso de curta duração é o aumento nos últimos anos do número de estudantes interessados em estudar a matéria escura. “Às vezes o estudante não encontra alguém que trabalhe esse assunto na sua instituição e acaba perdendo a oportunidade de se aprimorar na área. A proposta do curso foi oferecer um conteúdo amplo para que o aluno tenha uma visão geral do assunto. A reunião de alunos estrangeiros também promove o diálogo com os colegas e pode ajudar na formação de uma comunidade no tema”, explica Pontón.

O pesquisador do IFT explica que o estudo da matéria escura abrange diversas áreas da Física, como cosmologia, física de partículas ou astrofísica. “Foi muito importante para nós organizadores encontrarmos pessoas que não fossem apenas pesquisadores qualificados, mas reconhecidamente bons professores em suas respectivas áreas”, explica Pontón, ele mesmo especialista em física de partículas.

Um desses professores é Pasquale Serpico, professor do LAPTh, a unidade de física teórica do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, que discutiu em sua palestra as evidências cosmológicas e astrofísicas para detecção da matéria escura. O italiano começou de fato a estudar o tema durante um pós-doc nos Estados Unidos. “O que me interessou foi justamente esse aspecto multidisciplinar de combinar conhecimentos de temas puramente astrofísicos com fundamentos da física de partículas”.

Serpico acredita que a matéria escura vem se tornando um tópico popular na comunidade científica muito por conta do desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas em laboratórios como o Fermilab (laboratório de física de partículas de altas energias localizado nos EUA) ou de detecção direta subterrâneas. Segundo o pesquisador italiano, tais tecnologias atingiram tamanho nível de sensibilidade que permitem explorar novos elementos do espaço. “Atualmente estamos em um ponto em que mesmo quando um experimento não detecta algo, isso já é uma informação importante”, argumenta.

Outro organizador residente no IFT, Fabio Iocco acrescenta ainda que desde os anos 30 existe a noção de que falta matéria visível nos aglomerados de galáxias, porém foi apenas nas últimas décadas que se formou um consenso na comunidade científica mundial que essa matéria escura deveria estar fora do Modelo Padrão da física de partículas. “É neste momento que a matéria escura deixa de ser um problema unicamente da astrofísica para envolver também a comunidade de cientistas de física de partículas. Houve então uma grande inércia para estudar o tema e a injeção de recursos financeiros a partir mais ou menos dos anos 2000”, explica o astrofísico, que em 2015 publicou um artigo de grande repercussão na revista Nature Physics, em que comprova pela primeira vez a presença de matéria escura entre o Sol e o centro da Via Láctea.

Além dos pesquisadores Fabio Iocco e Eduardo Pontón, a equipe que se dedica ao estudo da matéria escura inclui também o professor Rogério Rosenfeld, que investiga cosmologia e a fenomenologia de partículas, além de integrar o Dark Energy Survey, um projeto internacional que estuda a dinâmica da expansão do universo.

A Escola recebeu no total 84 alunos, sendo 70 deles oriundos de instituições da América Latina. Os chilenos Felipe Rojas e Bastian Dias são estudantes ligados à Universidade Técnica Federico Santa Maria, na cidade de Valparaiso, e destacaram a capacidade do curso em cobrir os principais temas da matéria escura. “O aluno que estiver começando seus estudos no assunto teve um cenário geral bastante bom, e quem já tem alguma experiência pode afinar detalhes da pesquisa”, explica Rojas, que abordou a matéria escura em seu doutorado. “O curso também oferece a oportunidade de discutir o tema de pesquisa com outros colegas e fazer boas conexões”, aponta.

Estella Barbosa de Souza é brasileira, mas está fazendo seu doutorado na Yale University, nos Estados Unidos. Seu interesse pela matéria escura começou ainda na graduação – também realizada nos EUA -, o que a motivou a se aprofundar no tema para o doutorado. “A primeira semana de aulas tem sido mais teórica do que eu estou acostumada, uma vez que minha área de estudo é mais experimental. Ainda assim os professores tem sido ótimos na forma como transmitem o conteúdo”, explica a aluna que está envolvida em um projeto chamado DM Ice, que se dedica a detecção subterrânea de matéria escura em experimentos realizadas na Antarctica.

Gênero e Física Teórica
Entre palestras e exercícios sobre matéria escura, um tema se destacou da programação da Escola: uma discussão sobre Física e Gênero na América do Sul. A proposta de debater a representatividade masculina e feminina no campo ocupou quase duas horas do cronograma da terça-feira, dia 5, e partiu de uma iniciativa das professoras e dos organizadores do curso.

“A motivação desse debate foi chamar a atenção para questões que as mulheres enfrentam no estudo da Física na América do Sul e em outras partes do mundo”, explica a professora Nassim Borzognia, da Universidade de Amsterdã, que conduziu os debates ao lado das colegas Francesca Calore, também professora da instituição holandesa, Manuela Vecchi, do Instituto de Física de São Carlos (USP), e Nayara Fonseca, do Instituto de Física da USP, em São Paulo.

“Estávamos interessadas especialmente em ouvir as experiências dos estudantes em relação a tratamentos desiguais durante seus estudos e discutir, em um ambiente aberto, alguns dos preconceitos conscientes e inconscientes que as alunas enfrentam”, aponta. Durante o encontro foram apresentaram dados sobre a proporção de homens e mulheres no curso e convidaram as pessoas presentes na audiência a comparar com a proporção em suas respectivas instituições.

De forma geral, os alunos de diferentes países apontaram um predomínio masculino nos programas de Física Teórica, seja entre os estudantes ou no corpo discente. Os depoimentos levantaram questionamentos sobre, por exemplo, o motivo e o momento em que as mulheres se desinteressam pelo estuda da Física.

“Este não é uma discussão que nós costumamos ver nas escolas de Física e me surpreendeu de forma positiva ver este tipo de debate aqui”, afirmou Manoela Saez, doutoranda em Astronomia da Universidade Nacional de la Plata, na Argentina. “O que eu noto na Argentina é que também existem mais homens que mulheres estudando Física. Apenas o curso de Astronomia é mais equilibrado”.

Fonte: http://www.unesp.br/portal#!/noticia/22666/alunos-da-america-latina-se-reunem-em-curso-sobre-materia-escura/

Veja também a versão digital do Jornal da Unesp: http://www.unesp.br/jornal

Astronomia de ondas gravitacionais

Written by ICTP-SAIFR on July 18th, 2016. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

O amanhecer de uma nova ciência

Por Agência FAPESP

Astronomia de ondas gravitacionais: O amanhecer de uma nova ciência’ será o tema do Papos de Física do Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental (ICTP-SAIFR) no dia 4 de agosto de 2016.

O seminário será ministrado pelo professor Riccardo Sturani, do Instituto de Física Teórica da Unesp e do ICTP-SAIFR.

Entre setembro de 2015 e janeiro de 2016, o observatório LIGO efetuou duas detecções de ondas gravitacionais produzidas pela fusão de dois buracos negros.

“Ondulações no espaço-tempo, essas ondas viajam à velocidade da luz e trazem importantes informações sobre as fontes que causaram essa emissão. Marco histórico na física e astronomia, essa descoberta confirmou uma predição da teoria da relatividade geral de Einstein e deu início a um novo campo de pesquisa, a astronomia gravitacional”, disse Sturani, que é membro da LIGO Scientific Collaboration.

A palestra será no Laundry Deluxe, rua da Consolação, 2.937, Cerqueira César, São Paulo.

Evento de divulgação científica idealizado pelo ICTP-SAIFR, a série Papos de Física é uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre assuntos instigantes e as mais recentes descobertas científicas na área de Física. Com conteúdo acessível ao público, os seminários proporcionam debates instigantes sobre tópicos de física com quem faz física.

Os próximos temas serão “Somos um Holograma?” (01/09) e “O átomo do átomo” (06/10). Em 6 novembro, haverá uma edição especial, com David Gross, Nobel de Física de 2004.

ICTP-SAIFR tem apoio da FAPESP.

Mais informações: www.ictp-saifr.org/papos16.

Fonte: http://www.unesp.br/portal#!/noticia/22650/astronomia-de-ondas-gravitacionais/

Físicos descobrem vibrações inesperadas em nanomaterial

Written by ICTP-SAIFR on July 15th, 2016. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

Pós-doc no Instituto de Física Teórica da Unesp participa da pesquisa

Por Igor Zolnerkevic | Revista Pesquisa FAPESP

Um grupo de físicos brasileiros observou pela primeira vez em detalhe como os átomos vibram nas bordas de um material de dimensões nanométricas feito exclusivamente a partir do elemento químico fósforo. Conhecido como fósforo negro, esse material não é encontrado na natureza. Foi sintetizado pela primeira vez em 1914, mas suas propriedades com potencial aplicação em nanotecnologia só começaram a ser descobertas um século mais tarde.

Em um estudo publicado nesta quinta (14/7) na revista Nature Communications, a equipe coordenada pelo físico brasileiro Christiano de Matos descreve uma anomalia no padrão de vibrações que jamais havia sido observada em blocos tão diminutos de fósforo negro nem em outros materiais com dimensões nanométricas, como o grafeno, formado por uma só camada de átomos de carbono e uma das grandes promessas da nanotecnologia. “As bordas do grafeno apresentam algumas propriedades peculiares, mas as vibrações atômicas são iguais às do restante do cristal”, conta Matos, físico do Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologias (MackGraphe) da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Observamos algo novo no fósforo negro.”

Segundo o pesquisador, por ora é difícil dizer se essas alterações na vibração podem ajudar ou atrapalhar o design de um dispositivo nanotecnológico, como um transistor ou um sensor de luz. “O que se torna claro”, diz, “é que o projeto de qualquer dispositivo terá de levar essas vibrações de borda em consideração.”

Na escala dos objetos medidos em milionésimos de milímetros (nanômetros), as vibrações atômicas estão estreitamente relacionadas a várias propriedades dos materiais, em especial, à dissipação de calor. “São as vibrações que carregam o calor de um lado para outro do material”, explica o físico.

Desde que as primeiras propriedades com potencial uso em nanotecnologia do fósforo negro começaram a ser identificadas, em 2014, o interesse dos pesquisadores de diversas áreas por esse material vem crescendo. Chamam a atenção a sua capacidade de conduzir eletricidade e, principalmente, a de emitir e absorver luz em vários comprimentos de onda, propriedade que varia segundo a espessura do cristal de fósforo negro. São essas propriedades que, de acordo com especialistas, podem tornar o seu uso mais vantajoso do que o do grafeno em nanofotônica.

Em termos estruturais, o fósforo negro é semelhante à grafite, o mesmo material usado em lápis. Tanto um quanto outro são formados por folhas de apenas um átomo de espessura empilhadas umas sobre as outras – as camadas monoatômicas de fósforo são chamadas de fosforeno, e as de carbono recebem o nome de grafeno.

Mas as propriedades especiais desses materiais aparecem sob condições distintas. A alta resistência mecânica e a boa capacidade de conduzir calor ou eletricidade do carbono aparecem principalmente quando este elemento químico está disposto em uma folha de um só átomo de espessura – ou seja, encontra-se na forma de grafeno. Já com o fósforo negro é diferente. Suas propriedades se tornam evidentes à medida que os pesquisadores esfoliam o material e chegam a uma dezena (ou até menos) de camadas empilhadas. Essa característica pode permitir controlar mais facilmente as propriedades do material simplesmente adicionando ou eliminando camadas.

Em experimentos conduzidos no MackGraphe, o estudante de doutorado Henrique Ribeiro, orientado por Matos e pelos físicos Marcos Pimenta, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Eunézio Antônio de Souza (Thoróh), do MackGraphe, fez feixes de laser incidirem sobre amostras de fósforo negro compostas de diferentes números de camadas atômicas, com espessura variando de 6 a 300 nanômetros. Parte dessa luz é absorvida e parte é espalhada pelos átomos do material. A luz absorvida fornece energia para os átomos vibrarem, alterando as propriedades – em especial, a frequência e a polarização – da luz espalhada.

Em seguida, os pesquisadores compararam as medições feitas no experimento com os resultados de simulações feitas pelo físico Cesar Pérez Villegas, que faz estágio de pós-doutorado sob a supervisão de Alexandre Rocha no Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo. Da comparação, os físicos deduziram como os átomos vibravam ao receber o laser e concluíram que, nas bordas do fósforo negro, os átomos oscilavam de maneira específica, distinta daquela dos átomos do restante do material. Essas vibrações de borda apareceram em todas as amostras, independentemente de sua espessura.

Experimentos semelhantes ao feito agora com o fósforo negro já haviam sido realizados com o grafeno e mostrado que, embora seus átomos vibrem da mesma maneira tanto na borda como em seu interior, a luz espalhada nas bordas deste material pode apresentar frequência diferente da espalhada por seu miolo. A vibração dos átomos viaja pelo material na forma de ondas. No grafeno, a borda funciona como um espelho em que a onda bate e volta refletida. É essa reflexão que modifica a frequência da luz espalhada. Já no fósforo negro, a vibração diferente é explicada por um leve deslocamento dos átomos na borda das camadas de fosforeno. “No fosforeno, os átomos da borda têm uma posição de equilíbrio diferente da dos átomos do meio do material”, conta Matos. “Isso os faz vibrar de modo distinto.”

As pesquisas tiveram apoio da FAPESP por meio dos projetos Grafeno: fotônica e optoeletrônica; Efeitos plasmônicos e não-lineares em grafeno acoplado a guias de onda ópticos; e ICTP Instituto Sul-americano para Pesquisa Fundamental: um centro regional para física teórica.

O artigo Edge phonons in black phosphorus, assinado por Ribeiro, H. B. et al. e publicado na Nature Communications de 14 julho 2016 está acessível no endereço www.nature.com/ncomms/2016/160714/ncomms12191/abs/ncomms12191.html

Fonte: http://www.unesp.br/portal#!/noticia/22629/fisicos-descobrem-vibracoes-inesperadas-em-nanomaterial/

Ondas gravitacionais detectadas em outro par de buracos negros

Written by ICTP-SAIFR on June 15th, 2016. Posted in Blog do ICTP-SAIFR

Pesquisadores no Brasil contribuem para a descoberta

Por Assessoria de Comunicação e Imprensa/UNESP

No dia 26 de dezembro de 2015, à 01:38:53, horário de Brasília, cientistas observaram ondas gravitacionais, ondulações no espaço tempo, pela segunda vez.

As ondas gravitacionais foram detectadas simultaneamente nos Observatórios para detecção de Ondas Gravitacionais por Interferometria Laser (sigla LIGO em inglês), localizados em Livingston, Estado da Louisiana, e Hanford, em Washington, nos EUA.

Os observatórios LIGO são financiados pela Fundação Nacional da Ciência (sigla NSF em inglês) e foram pensados, construídos e são operados pelo Caltech and MIT. A descoberta, aceita para publicação na revista científica Physical Review Letters, foi efetuada pela Colaboração Científica LIGO, que inclui a colaboração GEO e o Australian Consortium for Interferometric Gravitational Astronomy, e a colaboração Virgo usando dados dos dois detectores LIGO.

Ondas Gravitacionais carregam informações sobre suas próprias origens e sobre a natureza da gravidade que não poderiam ser obtidas de outra maneira. Físicos concluíram que essas ondas gravitacionais foram produzidas durante os últimos instantes da fusão de dois buracos negros – de massa respectivamente 14 e 8 vezes o nosso Sol – que produziram um buraco negro único e mais  massivo, com massa 21 vezes maior do que a do Sol.

“É importante notar que esses buracos negros são muito menos massivos que aqueles observados na primeira detecção”, falou Gabriela Gonzalez, a porta-voz da Colaboração Científica LIGO (sigla LSC em inglês) e professora de física e astronomia da Universidade do Estado da Lousiana. “Graças a suas massas menores, quando comparadas com aquelas da primeira detecção, eles passaram mais tempo – cerca de um segundo – na banda sensível dos detectores. É um início promissor no mapeamento das populações de buracos negros de nosso Universo”.

Durante a fusão, que ocorreu há aproximadamente 1.4 bilhões de anos, uma quantidade de energia equivalente mais o menos à massa do Sol foi convertida em ondas gravitacionais. O sinal detectado foi originado das ultimas 27 órbitas dos buracos negros antes da colisão. A partir do tempo de chegada dos sinais – o detector do Livingston mediu as ondas 1.1 milissegundos antes do detector de Hanford — a posição da fonte no céu pôde ser aproximadamente determinada.

“Em um futuro próximo, Virgo, o interferômetro Europeu, se juntará à rede de detectores de ondas gravitacionais e irá melhorar nossa contribuição para a astronomia de múltiplos  mensageiros,” disse Fulvio Ricci, porta-voz da Colaboração Virgo. “Os três interferômetros juntos permitirão uma localização muito melhor dos sinais no céu”.

A primeira detecção das ondas gravitacionais, anunciada no dia 11 de fevereiro de 2016, foi um marco histórico na física e na astronomia; confirmou uma importante predição da teoria da Relatividade Geral de Einstein (1915) e foi o marco inicial para o novo campo de pesquisa em astronomia gravitacional.

A segunda detecção “legitimou o ‘O’ para Observatório em LIGO”, disse Albert Lazzarini (Caltech), diretor dos laboratórios do LIGO. “Com a detecção de dois eventos de impacto nos primeiros quatro meses de coleta de dados, podemos começar a fazer predições sobre quantas vezes poderemos escutar ondas gravitacionais no futuro. LIGO está nos levando  para um novo modo de observar alguns dos eventos mais escuros e mais energéticos em nosso universo”.

“Estamos começando a ter uma ideia do tipo de informações astrofísicas que só podem vir de detectores de ondas gravitacionais”, falou o diretor do MIT, David Shoemaker, que dirigiu o programa de construção dos detectores avançados LIGO.

Ambas as descobertas foram possíveis graças às capacidades avançadas do Advanced LIGO, cujas melhorias significativas aumentaram a sensibilidade dos instrumentos em comparação à primeira geração dos detectores LIGO, o que permitiu um aumento significativo no volume do universo observado.

“Com o advento do Advanced LIGO, já esperávamos que os pesquisadores eventualmente detectassem fenômenos inesperados, mas essas duas detecções ultrapassaram nossas expectativas”, falou o diretor do NSF France, A. Córdova. “Este investimento de  40 anos da NSF nesta pesquisa básica já está fornecendo novas informações sobre a natureza do universo escuro”.

A próxima coleta de dados do Advanced LIGO começará nos últimos meses de 2016. Até lá melhorias adicionais na sensibilidade dos detectores são esperadas, o que permitirá ao LIGO  atingir de 1.5 até 2 vezes mais volume do universo do que atualmente. Espera-se que o detector Virgo possa coletar dados juntos com os LIGOs na segunda metade da próxima coleta de dados.

A pesquisa do LIGO é efetuada pela Colaboração Científica LIGO (sigla LSC em inglês), um grupo de mais de 1 mil cientistas de Universidades dos Estados Unidos e  de mais 14 países, entre eles o Brasil. Mais de 90 universidades e instituições de pesquisa no mundo desenvolvem tecnologia de detecção e análise de dados; aproximadamente 250 estudantes são membros importantes da colaboração. A rede de detectores do LSC incluem os interferômetros LIGO e o detector GEO600.

A pesquisa de Virgo é efetuada pela Colaboração Virgo, composta por mais de 250 físicos e engenheiros que pertencem a 19 grupos europeus diferentes: seis do Centro National da Pesquisa Científica (sigla CNRS em francês) na França; oito do Instituto Nacional de Física Nuclear (sigla INFN em itáliano) na Itália; dois na Holanda com o Nikhef, o Wigner RCP na Hungria; o grupo POLGRAW na Polônia e o Observatório Gravitacional Europeu (sigla EGO em inglês), o laboratório que sedia o detector Virgo perto de Pisa, na Itália.

O NSF lidera o financiamento para o Advanced LIGO. Organizações financiadoras na Alemanha (Max Placnk Society), no Reino Unido (Science and Technology Facilities Council, STFC) e  Austrália (Australian Research Council) também deram contribuições significativas ao  projeto.

Várias tecnologias chave que permitiram maior sensibilidade ao Advanced LIGO  foram desenvolvidas e testadas pela colaboração Anglo-Alemã GEO. Recurso computacionais importantes foram disponibilizados pelo cluster de computadores Atlas do AEI de Hannover, o laboratório do LIGO, a Universidade de Syracuse, o cluster ARCCA da Universidade de Cardiff,  a Universidade de Winsconsin-Milwaukee, e pelo Open Science Grid do qual a UNESP faz parte. Várias Universidades desenharam, construíram e testaram componentes chaves e técnicas para o Advanced LIGO: a Australian National University, a Universidade de Adelaide, a Universidade do Western Australia, a Universidade da Florida, Stanford University, Columbia University na cidade de New York, e a Louisiana State University. O grupo GEO inclui cientistas do Max Planck Institute for Gravitational Physics (Albert Einstein Institute, AEI), Leibniz Universität Hannover, em parceria com a Universidade de Glasgow, Cardiff University, a Universidade de Birmingham, outras universidades no Reino Unido e na Alemanha, e a Universidade das Ilhas Baleares na Espanha. 

Pesquisadores no Brasil contribuindo para a descoberta

Existem dois grupos no Brasil, ambos no Estado de São Paulo, que participam oficialmente da LSC. O primeiro deles está na Divisão de Astrofísica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e conta com seis membros. O outro grupo está no ICTP (Instituto de Pesquisa Básica da América do Sul), filiado ao Centro Internacional de Física Teórica (sigla ICTP-SAIFR em inglês), localizado no IFT/UNESP, na cidade de São Paulo.

O grupo do INPE, dirigido por Odylio Aguilar, trabalha no aperfeiçoamento da instrumentação de isolamento vibracional do LIGO, na sua futura operação com espelhos resfriados e na caracterização dos detectores, buscando determinar suas fontes de ruído.

Já  o grupo do ICTP-SAIFR/IFT-UNESP, dirigido por Riccardo Sturani, trabalha na modelagem e análise dos dados de sinais de sistemas estelares binários coalescentes, como os dois eventos detectados até agora. A modelagem é particularmente importante porque as ondas gravitacionais interagem fracamente com a matéria, tornando necessário, além de detectores de alto desempenho, técnicas de análises eficazes e uma modelagem teórica precisa dos sinais.

Links para scientific papers
https://dcc.ligo.org/LIGO-P1600088/public
http://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/PhysRevLett.116.241103

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ikupec@nsf.gov

 

LIGO Scientific Collaboration
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Virgo
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Roma +39 06 49914261 (Office)
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fulvio.ricci@roma1.infn.it

GEO

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UK Science and Technology Facilities Council

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terry.o’connor@stfc.ac.uk

Max Planck Institute for Gravitational Physics Hannover
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+49 511 762 19104
benjamin.knispel@aei.mpg.de

 

Fonte: http://www.unesp.br/portal#!/noticia/22291/ondas-gravitacionais-detectadas-em-outro-par-de-buracos-negros/